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Cia de Dança Caminhos, do Pro Paz, ganha primeiro lugar em competição

A Companhia de Dança Caminhos, pertencente à Fundação Pro Paz, criada a partir de um grupo de adolescentes que frequenta as oficinas de dança contemporânea do projeto Pro Paz nos Bairros, polo da Universidade Federal do Pará (UFPA), ganhou o primeiro lugar da categoria “Melhor projeto social” da 25ª edição do Festival Dança Pará 2016, com a apresentação de coreografia do espetáculo “Revolução. Para Nunca Mais Adeus”, que em 2015 colocou os jovens dançarinos em palcos de todo o Estado. A escolha foi feita nesta terça-feira (6), no Teatro Maria Sylvia Nunes, da Estação das Docas, na Mostra Competitiva, que teve a participação de outros 14 projetos de cunho social.

Em maio deste ano, a Companhia Caminhos – que atualmente tem 14 integrantes entre 16 e 22 anos - também se apresentou com o espetáculo “Revolução. Para Nunca Mais Adeus” no Teatro Margarida Schivasappa, no Centur, e foi aplaudida de pé pelo público. A agenda do grupo, que tem o mesmo elenco desde quando foi criado, há três anos, é sempre cheia. No dia 22 deste mês eles se apresentarão na Escola Estadual Augusto Meira com o mesmo espetáculo, criado a partir da pesquisa sobre histórias de quem viveu o período da ditadura militar (1964-1985).

Com músicas que passam por Caetano Veloso até Legião Urbana, o espetáculo conta momentos importantes dessa parte da história brasileira, com referências em vivências reais. “A pesquisa foi muito intensa. Fomos atrás de relatos e pessoas que foram vítimas da repressão. Conhecemos essas histórias, e a maneira como isso aconteceu foi trazido para o espetáculo por meio do corpo”, diz o diretor e professor Diego Jaques, formado em Artes Cênicas pela UFPA, que já participou de diversas companhias de dança e teatro como bailarino, professor, coreógrafo e jurado. “Fico muito feliz por ter ajudado esses jovens artistas a chegarem até aqui, pois eles estão trilhando um caminho de luta e profissionalização que eu já percorri. A alegria no rosto deles por terem um trabalho reconhecido é, sem dúvida, o maior dos prêmios”, reiterou.

Em 2012, no Theatro da Paz, em Belém, os alunos que hoje fazem parte da Companhia Caminhos participaram do projeto “Dancing Connect”, da renomada Battery Dance Company, de Nova York. À época, Belém foi a única cidade da América Latina escolhida para receber o evento, que tem como proposta percorrer o mundo vivenciando a troca de experiências oportunizadas pela arte. O projeto passou por mais de 50 capitais e, no Pará, ganhou apoio do Governo do Estado, por meio do Pro Paz e da Fundação Cultural do Pará (FCP).

“A Companhia Caminhos ganha hoje, de maneira brilhante, um reconhecimento que ultrapassa os limites da arte. Esse é o resultado de um projeto (Pro Paz nos Bairros) que ajuda a mudar histórias de vida por meio da oportunidade e da disseminação da cultura de paz. A arte foi o caminho escolhido por esses jovens para fugir de situações em que muitas vezes se viam vulneráveis, sem alternativa alguma. Quem ganha o prêmio, na realidade, é a sociedade, que terá cidadãos de caráter, formadores de opinião e protagonistas da própria história”, disse o presidente da Fundação Pro Paz, Jorge Bittencourt.

Para Aldair Maciel Serrão, 21 anos, um dos mais antigos dançarinos do grupo que deu origem à companhia, subir ao palco do Dança Pará com o primeiro lugar na categoria Projetos Sociais traz muitas lembranças. “É gratificante ganhar esse prêmio em nome da Fundação Pro Paz, pois foi onde a gente iniciou tudo. Esse é o resultado do esforço e dedicação de um grupo muito unido formado na fundação”, detalhou o bailarino, que atualmente faz parte do quadro de funcionários do Pro Paz. Até o encerramento do Dança Pará 2016, na quinta (8), a Companhia Caminhos ainda concorre a outros prêmios nas categorias contemporâneo, jazz e clássico livre.

Por Nil Muniz