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Crianças e adolescentes recebem atendimento completo durante prática esportiva

quinta-feira, 23 Janeiro, 2020

 

O estudante Davy Carvalho, de 12 anos, sempre gostou de jogar futebol. Pensando nisso, sua mãe, a dona de casa Denise Borges, resolveu inscrevê-lo neste mês nas atividades esportivas da  Fundação ParáPaz, no polo de Marituba (Região Metropolitana de Belém). Durante a matrícula, ficou surpresa ao saber que o atendimento ao filho vai além da prática física. “Disseram que vão acompanhar o Davy também na questão psicológica e pedagógica. Há uma equipe de profissionais que vai me manter informada. Gostei muito”, revela Denise, que já pensa em inscrever o outro filho, prestes a completar 8 anos.

O acompanhamento psicossocial faz parte do projeto de práticas esportivas, coordenado pela Fundação ParáPaz, que crianças e adolescentes - de 8 a 18 anos - em situação de vulnerabilidade social para desenvolver a cidadania e a igualdade a partir de atividades físicas e lúdicas. “São diversos tipos de esporte que atraem os alunos, mas esse é apenas o começo. Existe o trabalho do psicólogo, do assistente social, da pedagoga e de outros profissionais para mostrar aos jovens que não estamos ali exclusivamente pelo esporte. Eles vão sentindo a nossa confiança, começam a contar suas histórias e analisamos o comportamento durante as atividades. Às vezes descobrimos que eles têm outros problemas que precisam ser tratados”, explica Ray Tavares, presidente da Fundação ParáPaz.

A coordenadora do ParáPaz em Marituba, Karla Braga, afirma que o atendimento social e psicológico infantil requer sensibilidade e planejamento. “Às vezes a criança só quer jogar e reclama quando vamos fazer outras atividades, ou não interage direito com os colegas. É importante observar a reação em cada caso para entender como se aproximar do aluno e, se for o caso, de seus pais”, observa.

A equipe também precisa estar atenta ao comportamento dos adultos: enquanto alguns pais procuram orientações sobre como lidar com a saúde mental dos filhos, outros demonstram desinformação e preconceito sobre o tema. “Teve uma mãe que veio nos procurar para conversar sobre os indícios de depressão da filha, mas também já veio um responsável que não aceita que um jovem possa ter esse tipo de problema”, explica Larissa Rocha, psicóloga do projeto ParaPáz em Marituba, ressaltando que adquirir a confiança dos pais é fundamental para o atendimento de crianças e adolescentes no projeto.

O comerciante Edson Alves foi uma das pessoas que recebeu com desconfiança a informação de que os filhos teriam assistência psicossocial durante as atividades na fundação. “Já tinha ouvido falar que as crianças poderiam praticar esporte no ParáPaz, mas não queria, achava que por ser público não daria certo. Quando soube que também teria assistente social, fiquei com mais receio. Mas tive que reconhecer que é um trabalho importante e que o melhor é colaborar com a equipe”, revela Edson, ao lado dos filhos Joel e Josué Alves, de 13 e 11 anos, respectivamente.

Pâmela Gomes, assistente social no polo Marituba, explica que alguns pais podem não ter uma noção clara de como seu comportamento influencia a reação dos filhos. “Recentemente observamos que uma criança era muito agressiva durante os jogos. Depois de conversar com ela e com a mãe, vimos que era um caso de bullying escolar. Mas também observamos que a mãe demonstrava muita raiva diante da criança. Então conversamos e a mãe entendeu que precisava mudar de atitude para ajudar nosso atendimento”, lembra Pâmela, complementando que toda a equipe técnica participa das avaliações de comportamento dos jovens atendidos pela fundação. 

Por Igor Oliveira (SECOM)