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Susipe e Pro Paz promovem ação de cidadania com detentas na Semana da Mulher

 

Um momento dedicado à autoestima e à valorização pessoal. Assim foi a ação especial promovida na manhã desta quinta-feira, 10, pela Fundação Pro Paz e pel Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe) para centenas de mulheres custodiadas no Centro de Recuperação Feminino (CRF), localizado em Ananindeua, em alusão ao Dia Internacional dedicado a elas. Além da emissão e atualização das carteiras de identidade, trabalho e certidão de nascimento, as internas receberam orientações sobre dúvidas relacionadas a estes documentos. Ao todo, foram feitos 230 atendimentos.

“Temos muitas internas com problemas na documentação. Muitas delas perderam os documentos e simplesmente deixaram isso de lado. A ideia foi dar uma nova oportunidade para que elas regularizassem sua situação”, explica a diretora do CRF, Carmem Botelho. A detenta Edmarina de Castro foi uma das beneficiadas. Ela atua como auxiliar de serviços gerais na penitenciária e aproveitou o horário de intervalo para alterar uma informação incorreta em sua Carteira de Trabalho. “Uma letra do meu nome estava errada no registro. Mesmo antes de ser presa eu já sabia desse erro, mas não dei importância. Como acredito que neste ano devo ganhar minha liberdade, aproveitei o mutirão para resolver isso. Quero sair daqui pronta para trabalhar”, disse a interna que já cumpre pena há três anos.

Esta é a primeira ação do Pro Paz Cidadania realizada este ano no CRF. A intenção é de que a cada dois meses a caravana retorne, com o apoio de serviços prestados pela Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster), Defensoria Pública do Estado e Polícia Civil. “Nosso objetivo é, até o final de 2016, zerar o número de presas com problemas de registro civil”, contou a diretora da unidade penal.

"Levando esse tipo de atendimento ao CRF, ajudamos as detentas a resolverem problemas que normalmente não teriam condições de contornar por estarem privadas da liberdade ou que poderiam restringir suas expectativas de recomeçar a vida lá fora”, afirma o técnico do Pro Paz Cidadania, Delckson Roberto.

"Ter a documentação em dia é requisito básico para que as detentas participem de atividades educacionais e também possam pleitear vagas de trabalho ao longo e ao final da pena. Para que possamos inserir essas mulheres em determinadas atividades, como as disponibilizadas por meio de convênios de empregabilidade, ou até mesmo nas aulas regulares, elas precisam dos documentos. Com ações deste tipo conseguimos fazer com que elas entendam a importância da documentação em dia, não só para elas próprias como para seus filhos”, frisou Carmem Botelho.

Foi pensando no filho que a interna Amanda Matos, 22 anos, resolveu tirar a 2ª via da identidade durante a ação. “Perdi alguns documentos logo quando fui presa. Hoje o meu filho precisa renovar a matrícula na escola e sem minha identidade meus familiares não conseguem resolver isso. Quando fui informada que hoje poderia resolver isso, me interessei. É importante para continuar garantindo o direito do meu filho à educação”, diz a detenta.

Além dos serviços prestados pelo Pro Paz Cidadania, as internas também puderam cortar os cabelos com profissionais do Instituto Embeleze e receberam cuidados para a pele oferecidos por consultoras da rede de cosméticos Mary Kay.

Timoteo Lopes
Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado do Pará